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A criação do Curso de Pós-Graduação em Estudos Avançados de Conservação do Património Construído é justificada, a nível do sector nacional da construção civil e obras públicas, pela urgência de trabalhos de conservação e reabilitação das construções existentes. Fazendo uma apreciação do tema, visto pelas empresas, as intervenções de conservação e reabilitação de construções existentes envolvem uma elevada especificidade e complexidade, superior à da construção corrente. A estratégia de conservação e reabilitação do património arquitetónico apresenta, em nosso entender, seis componentes: a política; a ambiental; a socioeconómica; a financeira; a cultural; e a arquitetónica. Em relação à componente socioeconómica, salientamos que, tem papel decisivo a reabilitação dos edifícios antigos e a revitalização dos pequenos núcleos de povoamento tradicionais, em zonas do País de acentuado decréscimo populacional, onde se verifica o despovoamento de cidades, vilas e aldeias. A conservação e a reabilitação do património arquitetónico tradicional impõem-se segundo duas vertentes: a sustentabilidade; e a salvaguarda da memória coletiva e da identidade cultural das comunidades. A sustentabilidade da conservação e da reabilitação traduz-se no menor consumo de materiais e energia, por excluir, em grande parte, a demolição e o transporte de materiais. A conservação e a reabilitação do património arquitetónico tradicional não podem alhear-se de duas poderosas realidades em confronto: as preexistentes, como a forma de vida tradicional e as raízes históricas, que transparecem nas formas de organização dos espaços, na adaptação ao clima, na integração no meio geográfico, no recurso a materiais e técnicas de construção locais e ao engenho dos artesãos; e as necessidades de vida que a evolução das sociedades impõe. A conservação e reabilitação dos edifícios antigos envolvem ações de diferente amplitude, desde a simples manutenção até às intervenções mais profundas, funcionais e estruturais ou não estruturais. As estratégias de reabilitação sustentável têm, como objetivo, melhorar o comportamento estrutural e energético dos edifícios em serviço, e a reorganização das disposições funcionais e espaciais dos edifícios, adaptada às exigências atuais de habitabilidade.
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